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PESQUISAS PARA MELHORAMENTO DO FEIJOEIRO
Em, 25/05/10

Quando o mineiro despeja o feijão quentinho no prato não imagina o trabalho do cientista por trás daqueles grãos.

O melhoramento genético é assim mesmo, silencioso. Que o digam os pesquisadores da EPAMIG e das Universidades Federais de Viçosa (UFV) e de Lavras (UFLA), que, há anos, realizam o trabalho de melhoramento genético do feijoeiro em Minas Gerais, em parceria com a Embrapa.

Sem esses anos de pesquisa, Minas Gerais estaria importando feijão de outros estados e o agricultor mineiro estaria plantando cultivares desenvolvidas em condições completamente diferentes.

“Hoje o agricultor mineiro tem muitas opções para, na hora do plantio, escolher entre diferentes cultivares de feijão, de várias cores e tamanhos de grão, todas bem adaptadas aos nossos solos e clima”, afirma Trazilbo José de Paula Júnior, pesquisador da EPAMIG, Regional Zona da Mata. Os resultados desse trabalho refletem-se diretamente em aumento de produtividade.

Os materiais atualmente recomendados para plantio em Minas Gerais são de longe mais produtivos que os plantados há 20 anos, por exemplo, revela o pesquisador.

Segundo o professor da UFV, José Eustáquio de Souza Carneiro, o desafio é combinar em uma mesma cultivar características interessantes, como alta produtividade, resistência às principais doenças, qualidade comercial e boa qualidade culinária.

Os impactos gerados pelas pesquisas com a cultura do feijão são claramente observados quando se compara a produtividade da cultura em Minas Gerais na década de 1970 (abaixo de 500 kg/ha), quando as pesquisas ainda eram incipientes, com a atual (cerca de 1.400 kg/ha). Esse ganho tem reflexos não somente na economia do estado, mas também sobre a qualidade de vida dos pequenos produtores mineiros, ainda responsáveis por grande parcela da produção.

Pesquisas começaram em 1930

Os primeiros trabalhos de pesquisa com feijão no Brasil iniciaram-se na década de 1930, na UFV, e no Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Na década de 1950, foram realizados os primeiros testes comparando variedades de feijão coletadas em diferentes pontos do estado com material introduzido de outros países. “Nessa época, sementes de feijão foram introduzidas dos Estados Unidos, Costa Rica, México, Venezuela e Guatemala, entre outros”, relembra o pesquisador da EPAMIG/Embrapa, Rogério Faria Vieira, que é filho do professor Clibas Vieira, pioneiro no melhoramento do feijoeiro - falecido em 2006, depois de dedicar mais de 40 anos à pesquisa em Minas Gerais.

O pesquisador conta, com orgulho, como foram os primeiros trabalhos de seu pai. “A recomendação de uma variedade de feijão começou com a ‘Rico 23’, introduzida da Costa Rica em 1954, indicada inicialmente para Minas Gerais em 1959 e, depois, para mais seis estados”.

Mais tarde, em 1963, o Ministério da Agricultura criou a Comissão Brasileira de Feijão (CBF), com o objetivo de estabelecer metodologias e normas para experimentação. A década de 1970 foi decisiva para o melhoramento genético do
feijoeiro, com a criação da unidade da Embrapa Arroz e Feijão, que serviu para aglutinar os trabalhos dos institutos de pesquisa e das universidades.

Outro ponto fundamental foi o estabelecimento do programa de pesquisa com feijão do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), localizado em Cali, na
Colômbia, com o apoio das Nações Unidas.“Os treinamentos que fizemos no CIAT foram fundamentais para entendermos a cultura do feijão como um todo, principalmente por causa do
contato com pesquisas em áreas diferentes e com pesquisadores de muitos países. Além disso, o CIAT intermediou um intenso intercâmbio de sementes
entre países produtores de feijão”, lembra Rogério Faria Vieira. Até hoje o CIAT possui um banco com mais de 40 mil introduções de feijão, um trabalho valioso
de coleta, preservação e cruzamentos de feijões de todo o mundo, especialmente das regiões dos Andes e da América Central, consideradas os centros de origem dessa leguminosa.

O professor José Eustáquio de Souza Carneiro relembra outro episódio importante relacionado à cultura do feijão na década de 1970: o lançamento da cultivar de feijão ‘Carioca’, que acarretou profundas alterações nos padrões de grãos produzidos e consumidos no Brasil. Até então, a preferência do brasileiro era por feijões pretos ou café-com-leite (mulatinhos).

A recomendação oficial de cultivares de feijão no Brasil passou a existir no início da década de 1980 e, a partir de 1990, a Embrapa passou a ter papel preponderante nesse processo.Atualmente, o melhoramento genético do
feijoeiro no Brasil é realizado principalmente por empresas públicas, concentrado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com um número pequeno de pesquisadores atuando exclusivamente na atividade.

Comparado com outros estados, Minas Gerais conta com uma das maiores equipes atuando na área, fruto de parceria entre EPAMIG, UFV, UFLA e Embrapa. “A primeira cultivar lançada no âmbito desse convênio foi a BRSMG Talismã, em
2002. Em seguida, vieram outras, como Ouro Vermelho, BRSMG Majestoso, BRSMG Madrepérola e BRSMG União”, ressalta Trazilbo José de Paula Júnior.

Fonte: CIFeijão
Ascom EPAMIG UREZM







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