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Principais doenças
Antracnose
Mancha Angular
Ferrugem
Mancha de Alternaria
Sarna
Carvão
Mofo Branco
Doenças do Feijão e controle
O adequado controle dos fungos causadores das principais moléstias desta leguminosa é fundamental para o aumento da produtividade e da competitividade da cultura.
O feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris L.) é cultivado em todo o Brasil, constituindo-se no alimento protéico básico na dieta diária da população brasileira, adquirindo, por conseguinte, a mais alta expressão econômica e social. Em 2001, o feijoeiro comum foi cultivado em aproximadamente3.500.000 ha, apresentando uma produção aproximada de 3.000.000 de toneladas e uma produtividade média de 868 kg/ha. Apresenta, atualmente um consumo per capita da ordem de 17 kg/ano, o que representa um aumento de 31,47% nos últimos quatro anos. Estes dados classificam o Brasil como maior produtor e consumidor mundial de feijão. Entretanto, é necessário tornar o feijoeiro comum mais produtivo e competitivo no sistema agrícola para garantir sua sustentabilidade no agronegócio brasileiro.
Esta leguminosa é cultivada durante todo ano, numa grande diversidade de ecossistemas, o que faz com que inúmeros fatores tornem-se limitantes para a sua produção. Destes, um dos principais são as doenças que afetam o feijoeiro comum, as quais, além de diminuírem a produtividade da cultura, depreciam a qualidade do produto. O feijoeiro é hospedeiro de inúmeras doenças de origem fúngica, bacteriana, virótica e as incitadas por nematóides.
Entre as principais doenças fúngicas, encontram-se a mancha angular, a antracnose, a ferrugem, a mancha de alternária e o mofo branco, às quais se somariam mais duas, identificadas recentemente: a sarna e o carvão.
A antracnose do feijoeiro comum, cujo agente causal é o fungo Colletotrichum lindemuthianum (Sacc) Scrib; é uma das doenças de maior importância da cultura, afetando, em todo o mundo, as variedades suscetíveis sultivadas em locais com temperaturas moderadas e frias e alta umidade relativa do ar. Quanto mais precoce for aparecimentoda doença, maiores poderão ser as perdas, que podem atingir 100% quando são utilizadas sementes de baixa qualidade em condições de ambientefavoráveis ao seu desenvolvimento.
Além de diminuir o rendimento da cultura, a antracnose deprecia a qualidade do feijão, por ocasionar manchas no grão, tornando-o impróprio para o consumo.
A doença manifesta-se em todas as partes aéreas da planta. Na face inferior das folhas, sobre as nervuras, aparecem manchas alongadas, primeiramente de cor avermelhada a púrpura e, mais tarde, pardo-escura, estendendo-se ligeiramente ao tecido circundante e, geralmente, a face superior. Os pecíolos e caules podem apresentar cancros, sendo que nestes e nas lesões das nervuras, ocorre a esporulação do fungo que constitui o inóculo secundário.
A fase mais caraterística da doença apresenta-se nas vagens, as quais podem ser infectados pouco depois de iniciada a sua formação. Nestas, as lesões desenvolvem-se a partir de pequenas manchas pardas, que dão origem a cancros deprimidos, delimitados por um anel preto, levemente protuberante, rodeado por um bordo de cor café-avermelhada. No nível dos cancros, as sementes freqüentemente são afetadas, apresentando lesões marrons ou avermelhadas. As plântulas provenientes de tais sementes geralmente apresentam cancros escurosno cotilédones.
Os esporos do patógeno são disseminados a curta distancia pelo vento, pela chuva, pelos animais e elo próprio homem, principalmente quando as plantas se encontram úmidas.
A disseminação a longa distância opera-se por meio das sementes infectadas. As condições ambientais que favorecem e enfermidade e temperaturas moderadas, com um ótimo de 17º C , e lata umidade relativa. Esses fatores são comuns no plantio “das águas” ou “safra” ou no plantio de outono/inverno com irrigação com irrigação suplementar e são poucos freqüentes no plantio da “seca” ou “safrinha”.
O controle da doença inclui o emprego de sementes de boa qualidade, o uso de cultivares resistentes, a adoção de práticas como rotação de culturas e eliminação de dos restos culturais e o tratamento químico tanto da semente como da parte aérea das plantas. Deve-se, também, evitar transitar na lavoura quando a folhagem estiver úmida.
A mancha angular do feijoeiro comum, cuja agente causal é o fungo Phaeoisariopsis griseola (Sacc.) Ferr; encontra-se amplamente distribuída, abrangendo todas as regiões onde se cultiva esta leguminosa. Afeta com maior ou menos intensidade os diversos cultivares de feijoeiro. Apesar de ser uma das primeiras doenças do feijoeiro a ser investigada no Brasil, a sua importância econômica foi inicialmente desconsiderada devido a sua ocorrência só no final do ciclo da cultura .Entretanto, na última década, passou a
ser considerada uma das principais doenças dessa cultura, causando perdas que podem variar de 7 a 70%, dependendo, entre outros fatores, da suscetibilidade do cultivar, do momento da sua ocorrência, das condições de ambientee da patogenicidade dos isolados. A mancha angular ocorre tanto nas folhas quanto nas vagens, nos caules e nos ramos. È mais comum e facilmente identificada nas folhas. As primeiras lesões podem aparecer nas folhas primárias, apresentando conformação mais ou menos circular, de cor castanho-escura, com halos concêntricos.
Nas folhas trifolioladas, o sintoma mais evidente, com o próprio nome da doença indica, é o aparecimento de lesões de formato angular, delimitadas pelas nervuras, inicialmente de coloração cinzenta, tornando-se posteriormente castanhas. Entretanto, dependendo da combinação patótipo-cultivar as manchas nas folhas trifolioladas podem também apresentar-se arredondadas ou com halos concêntricos. Nos caules, ramos e pecíolos, as plantas podem apresentar lesões alongadas de corcastanho-escura. Nas vagens, as lesõessão a princípio superficiais, de coloração castanho-avermelhada, quase circulares, com os bordos escuros. O tamanho das lesões é variávele, quando numerosas, coalescem, cobrindo toda a largura da vagem. Sob condições de alta umidade, pode ser observada na face inferior das folhas, nas vagens, nos caules e nos pecíolos, uma eflorescência de cor cinza-escura a negra, formada pelo frutificação do fungo. Essas frutificações compreendem os sinêmios, os quais são formadospor uma grupo de hifas eretas, os conidióforos, em cujas extremidades são formados os conídios.
Os principais agentes de disseminação do patógeno são o vento, a chuva, as sementes e as partículas de solo infestadas.
Dentre os fatores climáticos mais importantes envolvidos no desenvolvimento de epidemias, encontra-se as temperaturas moderadas (24ºC), com períodos de alta umidade relativa suficiente longos, alternados por períodos de baixa umidade e a ação de ventos. Além destes fatores, o desenvolvimento de epidemias depende, também, do sistema agrícola utilizado: a incidência da mancha angular é mais severa no feijoeiro cultivado em associação com o milho do que em monocultivo.
O controle desta enfermidade pode ser alcançado com o plantio de sementes de boa qualidade, o uso de cultivares resistentes e de práticas como eliminação de restos de cultura, época de plantio e tratamento químico.
A ferrugem do feijoeiro, incitada pelo fungo Uromyces appendiculatus (Pers) Unger, está presente em todas as regiões onde se cultiva esta leguminosa. É considerada um dos mais importantes problemas fitopatológicos relacionados à cultura do feijoeiro.As plantas são mais vulneráveis à doença nos estágios de pré-floração e floração, o que acontece normalmente dos 30 a 40 dias após agerminação. Se as plantas forem infectadas nestes períodos, as perdas podem atingir até 68%. A ferrugem ocorre mais freqüentemente nas folhas, mas pode ser encontrada também nas vagens e hastes. Os primeiros sintomas podem ser observados na parte inferior das folhas, como manchas pequenas, esbranquiçadas e levemente salientes, que aumentam de tamanho até produzirem pústulas maduras, de cor marrom-avermelhada , nas quais são encontrados os uredósporos. Em cultivares muito suscetíveis, além de um halo clorótico, que rodeia a pústula primária, pode ser formado um anel de pústulas secundárias.
Na natureza, os uredósporos são disseminados pelo vento, por implementos agrícolas, insetos e animais. Longos períodos (10-18 horas) de umidade relativa superior a 95% e temperaturas em 17 e 27ºC favorecem a infecção.
Para o controle da doença, recomenda-se o uso de cultivares resistentes, as práticas culturais tal como eliminação de restos de culturais, rotação de culturas e época de plantio e o controle químico.
Esta enfermidade apresenta como agentes causais várias espécies de Atenraria. Geralmente, as perdas causadas por esta doença são menos expressivas do que as ocasionadas pelas doenças anteriores. Entretanto, dados obtidos em outros países indicam uma perda de até 12%.Espécies de Alternaria são parasitas de ferimentos que ocorrem nas plantas .Normalmente formam manchas pequenas em tecidos velhos ou senescentes durante períodos da alta umidade e temperaturas amenas. Entretanto, o patógeno pode penetrar na folha diretamente ou através dos estômatos.
A doença produz nas folhas pequenas manchas de cor pardo-avermelhada rodeadas por um bordo mais escuro, as quais crescem lentamente, formando anéis concêntricos. Posteriormente, tornam-se quebradiças e o centro da lesão se desprende. Em ocorrência mais severa, as manchas podem coalescer e cobrir grandes áreas da folha, resultando em um desfolhamento prematuro.
Nas vagens, podem ser observadas pequenas manchas de coloração pardo-avermelhada ou preta, as quais podem coalescer produzindo listras. A transmissão via semente pode ser alta se a planta for infectada perto da maturação. Como medidas de controle, recomendam-se emprego de semente de boa qualidade, o aumento da distância de plantio, a rotação de culturas e o tratamento químico tanto da semente como da parte aérea das plantas.
A sarna do feijoeiro comum é uma doença que foi identificada recentemente na cultura, podendo causar perdas em até 100% da lavoura. Encontra-se distribuída principalmente nos Estados de Goiás e Minas Gerais. Os primeiros sintomas da sarna podem iniciar-se ainda no estádio de plântula com a formação de uma zona de tecido mais clara um pouco acima da região do colo da planta. À media que a doença se desenvolve, este tecido torna-se necrosado, apresentando coloração castanha. Estas lesões crescem no sentido longitudinal do caule e aumentam de tamanho podendo tomar todo o seu diâmetro. Posteriormente, nas áreas necrosadas, pode ser observado um grande número de acérvulos, que são estruturas de reprodução assexual do patógeno. Quando a doença atinge este estágio, as plantas murcham e morrem. Nas vagens, surgem pequenas manchas negras, as quais também contém os acérvulos do fungo.
As condições de ambiente que favorecem a doença incluem temperaturas altas (28ºC), alta umidade relativa e o plantio do feijão após a cultura do milho ou do sorgo.
O inóculo primário consiste de sementes infectadas e de restos de cultura.
Os principais agentes de disseminação da doença a longa distância são as sementes e, a curta distância, a chuva acompanhada de vento e os implementos agrícolas. Por ser uma doença que surgiu recentemente na cultura do feijoeiro comum ainda não são conhecidas as medidas de controle. Entretanto, como o fungo pode ser transmitido pelas sementes, recomenda-se o emprego de sementes de boa qualidade fitossanitária e a não semeadura do feijoeiro comum, no sistema de plantio direto, após a cultura de milho ou sorgo onde houver histórico da doença
O carvão, provocado pelo fungo Microbotryum phaseoli n. sp; é uma das doenças recentemente identificadas na cultura do feijoeiro comum.
Encontra-se distribuído principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, onde normalmente aparece em feijoal cultivado no sistema de plantio direto.
As perdas na produção podem ser altas mas, até o momento, seu potencial não é conhecido.
Na presença de inóculo em restos de cultura de milho ou sorgo, a doença pode ocorrer no estádio plântula, afetando tanto o caule com as folhas ou folíolos do feijoeiro, podendo ocasionar sua morte. Inicialmente, tanto no caule como nas folhas ou folíolos, as estruturas do patógeno apresentam cor branco-acinzentada, tornando-se posteriormente negra.
Se a plântula não sucumbir nesta fase ou se a doença aparecer em um estágio de desenvolvimento mais avançado da cultura, toda a base da planta fica tomada pelo agente causal, apresentando, com o passar do tempo, uma coloração negra onde o patógeno esporula abundantemente. As vantagens também podem ser infectadas pelo fungo.
As condições de ambiente que favorecem a doença incluem temperaturas altas e alta umidade relativa.
O inóculo primário compreende as sementes infestadas e os restos de cultura. Pode ser uma doença de recente constatação, não se conhecem os métodos de controle.
O mofo branco, incitado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) De Bary, é uma doença bastante difundida nas regiões produtoras dessa leguminosa, principalmente no plantio de outono/inverno. As perdas no rendimento atingem em média 50%, podendo, entretanto, ser mais elevadas. Com a introdução da terceira época de plantio (feijão de inverno) na região Centro - Oeste e em outras regiões do país, implicando o uso da irrigação por aspersão, a doença encontrou condições favoráveis para seu desenvolvimento, tornando-se um problema par aos produtores.
A doença afeta os ramos, as folhas e as vagens, principalmente as próximas do solo, tendo seu início a partir ou de escleródios ou de apotécio os quais formam pequenas manchas aquosas nas folhas. Sob condições favoráveis, crescem rapidamente, provocando uma podridão mole, a qual é coberta , posteriormente, por uma densa massa de micélio branco, de aspecto cotonoso, onde se formam corpos duros e pretos que são os escleródios. As vagens podem, também, ser afetadas pela doença. S. sclerotiorum tem como hospedeiros mais de 300 espécies pertencentes aproximadamente 200 gêneros botânicos.
O fungo sobrevive no solo na forma de escleródio, o qual pode infectar diretamente as plantas ou dar origem aos apotécios, ou são produzidos milhares de ascósporos que são disseminados pelo vento, pela chuva e, possivelmente, pelos insetos. A disseminação do fungo pode ser realizada também por meio do próprio escleródio, aderido aos implementos agrícolas, em restos culturais ou em mistura com as sementes.
Entre as condições de ambiente que favorecem a doença, encontram-se a alta umidade e a baixa temperatura.
O controle pode ser realizado por meio de da utilização de sementes de boa qualidade, da aração profunda do solo com tombamento da leiva, do aumento da distância de plantio, da queima dos restos culturais contaminados, do controle da água de irrigação e da aplicação foliar de fungicidas.
Autor: Aloísio Sartorato - Engº Agrº
| Produtos | Doenças | Dose |
| I-kg/ha | ||
| Derosal Plus | Antracnose - Colletotrichum lindemuthizaum Tombamento - Rhizoctonia solani |
300 ml* 300 ml* |
| Monceren | Tombamento - Rhizoctonia solani | 300 g* |
| Antracol | Ferrugem - Uromyces appendiculatus | 2,0 |
| Brestanid | Antracnose - Colletotrichum lindemuthizaum | 0,33 |
| Derosal | Antracnose - Colletotrichum lindemuthizaum | 0,5 |
| Folicur 200 CE | Ferrugem - Uromyces appendiculatus Mancha angular - Phaeoisariopsis griseola Mancha de alternária - Alternaria alternata |
0,75 1,0 1,0 |
| Palisade | Ferrugem - Uromyces appendiculatus Mancha angular - Phaeoisariopsis griseola |
0,5 0,5 |
| Rovral | Mofo branco - Sclerotinia sclerotiorum | 1,5 |
| Stratego | Mancha angular - Phaeoisariopsis griseola Antracnose - Colletotrichum lindemuthizaum |
0,6 0,6 |